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Ministro Carlos Ayres Britto reinterpreta a contituição



Ministro Carlos Ayres Britto reinterpreta a Constituição.



João Cruzué

Reconheço que o Brasil, nem qualquer outra nação, deve ser cativa do poder religioso. A História tem mostrado que, sempre que uma religião se torna hegemônica, com o passar do tempo ela toma o lugar do próprio Deus e passa a olhar as como coisas. E isso não é "privilégio" das religiões, pois há outras ditaduras acontecendo neste exato momento: políticas, militares, econômicas, ambientais, imperiais e outras de mais variado espectro.

O poder da maioria, o poder quase absoluto, corrompe e produz mudanças.

O texto Constitucional no tocante à família não mudou uma palavra desde 1988. No entanto O STF mudou aforma de interpretar o artigo 226. Pelo menos esta é minha opinião depois do julgamento efetuado hoje pelos membros. A mesma coisa acontece com sua interpretação do artigo 1.723 do Código Civil, que diz " É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, continua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família." E para mudar tanto um texto quanto outro, no meu modesto entender, é necessário , primeiro que se mude o texto Constitucional, não pela Corte mais alta, mas pelo legislativo - que foi atropelado.

"Ninguém perde. A sociedade não perde." O que Suas Excelências estão dizendo é um sofisma, pois há, sim, uma instituição perdedora.

Esta instituição é a Igreja. E por Igreja, aqui, não estou me referindo à Instituição criada por Jesus Cristo, a Pedra de esquina, a Rocha eterna, mas às associações religiosas conhecidas por Igrejas cristãs.

Como sou evangélico quero dizer as atitudes das Igrejas Evangélicas nos últimos 20 anos não têm sido motivo de orgulho para mim. É muita avareza; pouca evangelização e uma politicagem crescente. Um cargo político no Congresso hoje vale muito mais que uma alma perdida. Os púlpitos estão saturados de sermões bonitos. As estantes dos líderes, abarrotadas de Comentários Bíblicos, mas eles não produzem graça nem concedem unção. Como a Igreja de Laodiceia, há uma nudez espiritual emcoberta com finíssimos fios de OURO que só os "inteligentes" conseguem enxergar.

Voltando ao voto do Ministro Carlos Ayres Britto. Sua Excelência disse duas frases, no calor do seu voto, no mínimo questionáves. Disse ele:

" É tão proibido discriminar em relação ao sexo como à respectiva opção sexual"

"Pouco importa se a família é integrada por casais heterossexuais ou homoafetivos"

Na primeira frase está implícita a ideia de que toda opção sexual é aceitável e indiscriminável. Quais são as opções sexuais conhecidas além da mais comum? Resposta: Homossexualismo, pedofilia, necrofilia, bestialismo, sexo entre pai e filha, filho com mãe, etc. Sempre aparece "novidades".

Também vou registrar uma frase emblemática do constitucionalista Luís Roberto Barroso: "Impedir uma pessoa de colocar o seu afeto e a sua sexualidade onde está o seu desejo é aprisionar-lhe a alma. É impedir a pessoa de ser em sua plenitude"

Diante da fala de Suas Excelências eu temo, sinceramente, que muito em breve o combate à pedofilia também venha a ser considerado discriminação de oçpão sexual. Que pouco importa se um marmanjo de 50 anos OPTE por uma criança de 10, porque praticar esta discriminação seria "impedir a colocação de afeto e aprisionamento de alma." Sim, porque a discriminação sempre vai existir. O que hoje é discriminado e não aceito pela sociedade, amanhã poderá ser visto como MODERNIDADE!

Que alguém me critique se a exegese das duas frases estiver errada.


Fonte das frases: jornal Folha de São Paulo, caderno Cotidiano, página C8, de 05 de maio de 2011.
Foto: S.T.F.
Fonte: olharcristao.blogspot.com

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